Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

CRIATÓRIO DE CURIÓ CAVALEIRO

30/06/2008 GMT 2

algumas dicas

ricardolimacurio @ 23:16

Doenças

Ácaro Vermelho:
É parasita noturno, se protegendo e reproduzindo em frestas, rachaduras e vãos, durante o dia. Seu ciclo de vida pode ser completado em uma semana. Em criadouros pode permanecer por 6 meses, após a retirada das ave. A transmissão do problema se dá através de objetos "contaminados"como: gaiolas, comedouros, capas de gaiolas, outros acessórios e pelo próprio trânsito de pessoas de um criadouro a outro.

Eles causam incomodo noturno, quando vão se alimentar (sangue). A ave não dorme direito, se estressando e perdendo nutrientes ao parasita. Podem causar: diminuição da eficiência reprodutiva nos machos, diminuição da postura nas fêmeas, diminuição da velocidade de crescimento dos filhotes, fraqueza, letargia, e diminuição de apetite.

Dificilmente leva a morte. Como profilaxia ( prevenção): fazer quarentena das aves adquiridas, higiene de galpão, gaiolas e acessórios, tratamento preventivo de aves suspeitas, evitar que aves de torneio retornem diretamente ao plantel, pois podem estar portando o parasita, adquirida de outra ave comprometida.

Ácaro de Perna e Face (knemidocoptes):
Causa sarna de bicos, penas, e pés, vive sob as sob a pele da ave, em galerias, promovendo a coceira. A contaminação por este é multifatorial, sendo que as principais são: umidade ambiental baixa, hipovitaminose A (deficiência de vitamina A), deficiências nutricionais. O ácaro após infecta uma ave, pode ficar até dois anos, em forma latente (dormente), sem levar o quadro clínico da doença. Causam lesões queretinizadas proliferativas (crostas) ao redor do bico, anus, pernas e pés. Geralmente as infecções crônicas ( de longa data) levam a deformação de bicos e unhas. Como profilaxia (prevenção): fazer quarentena e tratamento preventivo das aves, cuidados com a higiene de gaiolas acessórios e ambiente, correção alimentar, ambiente de criação de aves dever ser bem ventilados e arejado, mas sem corrente de vento.

Piolho de Pena:
Causado por ácaro que se alimenta da própria pena , as cerdas ficarão com aspecto "roído", quebrado imperfeito e sem brilho. Dependendo da quantidade de ácaros podem comprometer o vôo e retenção de temperatura ( pois as penas agem como protetor e isolante térmico) Alem do aspecto estético que fica prejudicado pela presença de penas imperfeitas. Profilaxia ( prevenção): fazer quarentena e tratamento preventivo das aves, cuidados com a higiene de gaiolas acessórios e ambiente, correção alimentar, ambiente de criação de aves dever ser bem ventilados e arejado, mas sem corrente de vento.

Isosporose ou Coccidiose:
Agentes causadores: Isospora lacazei e outras espécies do mesmo gênero. É um micróbio semelhante ao que causa as eimerioses. O reconhecimento só é feito pelo exame microscópico na fase adulta.

O micróbio é expelido pelas fezes e, ao atingir a faze adulta no chão, pode infectar os pássaros pelo ar, através da comida e da água.

Os pássaros adultos podem ser portadores da isosporose sem apresentarem os sintomas da doença, porem as fezes contaminadas podem atingir outros pássaros ou os próprios filhotes.

A infecção se agrava nos filhotes por serem mais sensíveis.

Sintomas: Os pássaros ficam tristes, arrepiados, sem forças para voar, mesmo que deles nos aproximemos. As fezes se tornam moles e as vezes sanguinolentas. Os olhos ficam com as pálpebras semicerradas, um pouco inchadas, e, as vezes, purgando. A autópsia revela intestino inflamado, com parede avermelhada,e , as vezes, com sangue. Manchas esbranquiçadas podem estar espalhadas pela parede intestinal.

Controle da doença: Muita higiene, evitar umidade.

Medicamentos indicados: Vitasol Coccidex, usar por no mínimo 5 dias, ou até o desaparecimento dos sintoma, ou medicamentos a base de sulfa.

Profilaxia: Limpeza diária das gaiolas. Evitar que pardais e outros pássaros comuns em liberdade sujem nas gaiolas ou na comida.

Malária ou Plasmodiose:
É transmitida por mosquito. Agente causador Plasmodium praecox ( existem outras espécies do mesmo gênero).

A malária dos pássaros é produzida por agentes muito parecidos com a do homem, mas não há contaminação, nem de um nem de outro.

Sintomas: A ave fica arrepiada, febril, não se alimenta, os olhos ficam semicerrados e ela, freqüentemente, tem dificuldade de respirar. ( a toxiplasmose possui sintomas semelhantes.)

Controle da doença: Em aves já doentes deve-se ministrar cloridrato de quinina, na dosagem de 1,5 miligrama ao dia. Prepara-se uma solução de 2% e dão-se, em duas vezes, cinco gotas por vez.

Colibaciliose:
É de difícil diagnóstico em vida. somente um exame feito na autópsia pode detectá-lo. Pode ser confundida com cólera, quando o pássaro morre em pouco tempo.

Controle da doença: higiene das instalações e imediata remoção do pássaro doente.

Paratifo:
Agente causador: Salmonella typhimurium ( podem ocorrer outras espécies, excluindo-se a S. pullorum e a S. gallinarum).

Sintomas: Os pássaros ficam "encorujados" e apresentam fezes sanguinolentas. A doença é fatal, na maioria dos casos.

Controle da doença: Eliminar o pássaro doente e desinfetar muito bem o local.

Cólera:
Agente causador: Pasteurella avicida

Sintomas: Os pássaros ficam enfraquecidos, as fezes ficam muito moles, sanguinolentas de de coloração amarelada.

A autópsia revela coração com secreção líquida turvas e sinais de sangue, pulmões vermelhos, intestinos também vermelhos e sanguinolentos, fígado com lesões de cor acinzentada. A doença se propaga pelas secreções produzidas na boca e nariz.

Controle da doença. Usar medicamento a base de Sulfa ( sulfatiazol, sulfametazina etc.)

Medicamentos modernos indicados: Neo-sulmetina SM, que é uma associação de sulfaquinoxalina e neomicina. Põem-se dez gotas no bebedouro durante três dias. Descansa-se dois dias e repete-se o tratamento. Avemetasina, que é uma associação de sulfaquinoxalina e sulfametasina (Fonte: ACCESP - Associação dos Criadores de Curiós de São Paulo).

Alimentos
O curió, principalmente seus filhotes, se alimentam de tenébrio molitor, que devem ser criados em casa. Quando sua criação de tenébrios estiver pronta, separe algumas, e as coloque em um pratinho com leite em pó. Elas vão se alimentar com o leite e quando consumidas pelo filhotes, se tornarão um alimento duplamente rico em proteínas.

Outros alimentos são os gafanhotos, cupins, pão molhado em água e milho verde, além das misturas para pássaros, alpiste e painço, ovo (clara e gema) cozido. Outra dica é a farinha de minhoca, muita rica em proteína, vendida em flocos.

A alimentação dos filhotes deve ser deixado por conta das mães. Você não deve colocar o alimento diretamente no ninho dos filhotes mas sim deixar que os pais façam isso. Nesse momento é importante observar os cuidados que eles dispensam aos curiózinhos. Deixar a disposição da mãe os alimentos de matrizes e adicionar 8 Tenébrios molitores para cada filhote por Dia.

Tome cuidado ao comprar frutas e verduras. Tenha a certeza de que não foi passado inseticida na plantação e se não estão estragadas. As verduras (almeirão, chicória, espinafre ou catalônia) e legumes (milho, abobrinha ou jiló) poderão ser dados ocasionalmente durante todas as fases da criação. O grande cuidado a se tomar são com as verduras, pois deverão ser bem lavadas e colocadas pôr 30 minuto em uma solução de água (98%) e vinagre (2%). Evite alface e salsa (Fonte: ACCESP).

vetorizzação de canto

ricardolimacurio @ 23:13

A vetorização é conhecida como o processo em que o filhote de curió tem o primeiro contato com o canto ou dialeto da espécie, ainda no ninho, na presença da mãe. Embora não haja embasamento científico para teoria de alguns criadores que afirmam que o início do aprendizado se dá com o filhote ainda no ovo, é certo que está ligado aos seus primeiros dias de vida, quando ainda está totalmente receptivo. Também é certo que há uma predisposição genética ao aprendizado do canto, já que criadores que se dedicam à seleção de um plantel voltado para execução perfeita de determinado dialeto obtêm sucesso maior do que os que praticam cruzamentos aleatórios, mantidos procedimentos semelhantes no manejo da vetorização e encarte do canto.

Na natureza, o filhote de curió aprende com o pai e irá ensinar seus filhos no futuro. Esse é o meio mais eficiente de vetorização do canto. Na criação em cativeiro a coisa se complica um pouco, principalmente pela indisponibilidade de se conseguir galadores com canto perfeito.

A melhor solução para vetorização do canto em filhotes em cativeiro é o emprego do que chamamos de mestres de canto. Um pássaro mestre é ainda mais difícil de ser obtido que um galador de canto perfeito. Somente poderá ser mestre o pássaro que, além do canto perfeito (conforme dialeto escolhido), possua características especiais de temperamento. Um mestre nunca pode se irritar com o canto dos filhotes, mantendo-se impassível na perfeita execução do seu canto, sem variar qualquer nota. Deve ser capaz de cantar com perfeição mesmo com a gaiola encostada na de outro curió macho filhote. Não pode interromper seu canto para escutar o canto de um possível adversário. Não pode modificar seu canto por influência do pialado das fêmeas. Deve ter um mínimo de três ou quatro anos, tendo saído de todas as mudas de pena sem modificar seu canto. Poucos são os criatórios que possuem curiós mestres de canto clássico perfeito. Um bom mestre pode valer elevadas somas. Desta forma, como é muito difícil que tenhamos pássaros mestres de canto perfeito e completo, o melhor é que o aprendiz só escute o som do CD da melhor gravação possível do dialeto a ser ensinado. Assim, a probabilidade do aprendizado aumenta substancialmente. Todavia, nunca se tem a certeza se o pássaro irá aprender perfeitamente o canto ministrado. Às vezes, o filhote aprende somente algumas partes do canto. A título de informação, há ainda o fator "código genético" a ser considerado, influência da natureza que produz espécimes responsáveis pelo dialeto de sua família, e que nunca migrarão, só se forem forçados. Esse tipo de pássaro tendo escutado algum tipo de canto no ninho, nunca mais mudará uma nota sequer, é bom lembrar sempre disso.
A existência de gravações em CD está sendo o principal motivo do incremento das atividades dos criadores, porque possibilitou a todos o ensinamento dos melhores estilos, os cantos de campeões aos filhotes produzidos, socializando e permitindo a participação de todos que quiserem no processo. O CD produz o melhor som e não se deteriora com facilidade. O volume do som produzido terá que se o mais próximo do natural possível e será como se fosse um pássaro cantando. É indispensável também, a utilização do temporizador "timer", ou seja, um equipamento que tem a propriedade de desligar e ligar o som periodicamente, pois na natureza um pássaro não canta em tempo integral. Essa condição é fundamental no manejo do encarte de cantos. O ideal é que os intervalos sejam de 30 minutos tocando e de 30 minutos desligado. Deve-se inciar o processo de vetorização / encarte às 5:30 hs., com término às 18:00.

Para um satisfatório processo de vetorização de filhotes de curió, deve-se ter em mente um pressuposto básico: o filhote de curió não pode ouvir o canto de outros pássaros, aí incluídos galadores com falhas no canto e fêmeas solteira, nem outras espécies de pássaros. Esse isolamento acústico requer facilidades de estrutura pouco comuns à maioria dos criatórios. São necessários, no mínimo, três ambientes acusticamente isolados. Um para galadores e fêmeas solteiras, um para fêmeas chocando ou alimentando filhotes e outro para treinamento de canto. Melhor seria se os filhotes nascidos fossem transferidos para outro ambiente, ainda juntos com a mãe, mantendo-se na sala de choco apenas as fêmeas chocando, em absoluta tranqüilidade. A presença de mestres de canto ou a sonorização da sala de choco costuma deixar as matrizes nervosas, sempre causando algum prejuízo à incubação. Havendo disponibilidade do quarto ambiente, o melhor momento para a transferência dos filhotes é o 7º dia após o nascimento. Já teremos passado o evento do anilhamento e a fêmea já terá adquirido o ritmo no tratamento dos filhotes. Será então iniciado o processo de vetorização do canto. É importante destacar que não basta que o ambiente destinado à vetorização do canto seja acusticamente isolado. É importante que este ambiente ofereça boas condições para a propagação do som. Paredes lisas ou azulejadas tendem a refletir o som, causando reflexão (eco) e reverberação (permanência de ondas em um recinto limitado), incutindo distorções na vetorização. Os auto-falantes não devem estar virados diretamente para os pássaros, nem devem ser posicionados na parte superior. O som apresenta tendência a subir. O uso de cortinas ameniza bastante a reverberação.

Diante das dificuldades de se ter à disposição vários ambientes para um satisfatório processo de vetorização de canto em filhotes, ou seja, o conhecido problema de espaço, são cada vez mais empregadas por criadores preocupados com a qualidade do canto dos curiós as conhecidas cabines acústicas, destinadas ao treinamento do canto de pássaros. A cabine permite o isolamento de galadores que não possuem bom canto, impedindo que influenciem negativamente a vetorização dos filhotes. Possibilita, ainda, que se isole um filhote em treinamento, não permitindo que ele ouça sons indesejáveis, garantindo uma melhor probabilidade de resultado na sua vetorização.
O processo de vetorização do canto conduzido em ambiente coletivo (vários filhotes reunidos) permite que, por questões ligadas ao territorialismo característico da espécie, os pássaros se precipitem em disputas de canto. Essas disputas podem causar interrupção na cantada para ouvir o canto de outro filhote, que por vezes implicará na fixação de fragmentos de canto e não do canto completo, como é desejável. Poderão, ainda, causar lesões na seringe (órgão responsável pela produção dos sons do canto dos pássaros), por não estar suficientemente desenvolvida e ser estimulada de forma precoce. Também poderá ocorrer a intimidação de alguns filhotes que não desenvolverão adequadamente a característica de repetição. Conforme o arranjo da instalação do áudio, poderá ser adquirida uma ótima condição para a vetorização do canto. Com a edição das gravações em programas de áudio, como o Sound Forge, por exemplo, é possível preparar instruções adequadas às diversas fases do aprendizado.

O Dr Gilson Ferreira Barbosa, titular do Criadouro São Judas Tadeu, em Itabuna-BA, foi pioneiro no projeto de construção e uso de cabines acústicas para vetorização do canto de curiós. Pesquisador de técnicas de manejo, possui vários artigos publicados sobre esse e outros assuntos ligados à criação de pássaros e costuma distribuir a quem solicita, projeto elaborado para a construção de cabines (e-mai para contatol: gilsonbahia@globo.com).

Os pássaros possuem uma sensibilidade superior a nossa para a percepção dos sons do ambiente. Se estivermos rodando a instrução de canto em um aparelho de som, por melhor qualidade que apresente, e o canto de outro pássaro invadir o isolamento acústico, esse canto roubará a atenção do filhote.

Os primeiros três meses de vida do filhote compreendem o período em que estará mais receptivo à assimilação do dialeto do canto. Após esse período entram em muda (muda de ninho ou muda de pardo para pardo) e ficam até cerca de seis meses meio refratários ao canto. Após os seis meses passam para a fase de maturação sexual, ficam mais territorialistas e se dedicam ao desenvolvimento do canto que possuem vetorizado. Essa fase segue até a próxima muda e é conhecida como fase da lapidação do canto. Passada a primeira muda de pardo, pouco poderá ser feito para corrigir um defeito de canto, embora não seja difícil estragá-lo no convívio com outros pássaros.

Durante a primeira fase, não devemos veicular um canto com muitas repetições, que dificultariam a gravação pelo filhote. O número ideal seria três repetições, preservado o canto de saída. Um número de repetições menor poderia levar o filhote à confusão, memorizando os módulos de entrada e de repetição como um único módulo.

Essa primeira instrução pode ser repetida até os 60 dias de idade do filhote. A partir dessa idade, uma nova instrução, com cantadas de cinco e de três repetições, intercaladas, com tempo de execução aumentado será executada até os seis meses. A partir dos seis meses, instruções com cantadas de três, cinco, sete e nove repetições alternadas devem ser executadas. Na medida da desenvoltura do filhote, podemos preparar instruções que incluam cantadas com maior numero de repetição, mantendo-se, no entanto, sempre algumas com três e com cinco repetições.

Como vimos, se pretendemos ter um pássaro de canto de qualidade ou se já temo um, este tem que ser tratado com cuidado especial. Não se pode deixá-lo duelar ou disputar canto à vontade com outro curió. Isso só pode ser feito se o outro tiver um canto igual ou muito parecido. Quando tivermos um pássaro bom de canto é salutar que se grave o respectivo canto e, através de um bom material sonoro, se toque sistematicamente o próprio canto para ajudar a fixar o dialeto. E a questão da repetição: de que adianta todo o trabalho exposto acima se o pássaro não é repetidor de canto. Se não repetir ou cantar comprido (canto longo) não vale a pena. Essa é outra questão muito complicada. É um fator genético. O filhote já carrega fatores hereditários que irão possibilitar essa característica. Não temos conhecimento, por enquanto, de nenhum estudo científico que possa comprovar qual o melhor método para se realizar a reprodução para obter-se pássaros repetidores.

O que se sabe é que uma determinada fêmea de curió gera filhotes repetidores com qualquer macho, ou vice-versa. Ou um determinado casal gera filhotes com essa característica. Escolher um filhote de famílias de repetidores, ou melhor, com um bom "pedigree", já é um bom caminho.

Aconselho, para aqueles que pretendem iniciar o processo de vetorização em filhotes de curió, a leitura dos trabalhos do Sr. Gilson F.Barbosa referentes ao confinamento audio-visual e o processo de vetorização em filhotes.

reprodução de curió em cativeiro

ricardolimacurio @ 23:07

Reprodução dos Curiós em Cativeiro

Apesar da facilidade de acesso às informações disponíveis na literatura e na internet, da diversidade de acessórios, medicamentos, rações, complexos de vitaminas e aminoácidos, prebióticos e probióticos, e, principalmente, da disponibilidade de matrizes, produtos de muitas gerações reproduzidas em cativeiro, os índices zootécnicos na criação de curiós apresentam números modestos. Isso nos parece demonstrar que pouca importância se tem dado à questão da habilidade materna das fêmeas em função da seleção de outras virtudes, como fibra, repetição e qualidade de canto. O abuso nos cruzamentos consangüíneos também colabora para o enfraquecimento fisiológico dos pássaros. Sabe-se que os criadores amadoristas apresentam, por vezes, resultados muito melhores, principalmente por cuidarem pessoalmente dos pássaros, com a dedicação típica dos apaixonados.

A reprodução de curiós poderá ser feita em viveiros ou em gaiolas criadeiras. A preferência recai sobre as gaiolas, que permitem um melhor controle da atividade e o emprego de um macho galador para até 6 fêmeas. Assim, um curió macho com qualidade superior poderá gerar muitos filhos em uma temporada. Apesar da reprodução ser possível com machos de 18 meses e fêmeas de um ano, o ideal é empregar fêmeas com dois ou três anos e machos com a definitiva plumagem negra.

O local onde estarão reunidas as gaiolas deverá ser livre de perturbações, com uma temperatura variando de 26 a 33° e umidade relativa entre 50 e 65%. Deverá ser bem iluminado e receber sol pela manhã - fator que considero importantíssimo. Nunca esquecer de colocar areia limpa ou grit mineral para as matrizes. Naturalmente apresentamos as condições ideais, o que não significa que alguma variação inviabilize a reprodução de curiós.

As gaiolas devem estar dispostas em prateleiras, ligeiramente afastadas das paredes e com uma divisória móvel entre elas, para que uma fêmea não veja a outra.

Esse dispositivo deve ser arrumado dois meses antes do inicio da estação reprodutiva, para evitar que as fêmeas estranhem o local. Deve ser ministrado vermífugo para todos os pássaros no inicio de agosto, e repetido 20 dias depois. Não se deve permitir a entrada no criatório de novas aves ou de pessoas estranhas aos pássaros durante o ciclo reprodutivo, que vai de setembro a abril.

Costumo ministrar Protovit Pedriátrico e Avitrin E por 20 dias seguidos, para todos os galadores e fêmeas, durante o mês de agosto. Durante todo o período reprodutivo, administro, ainda, umas 3 gotas em cada bebedouro, de Cetiva AE por semana, para todo o plantel.

Os curiós machos galadores devem ser mostrados por alguns momentos para as fêmeas quando se aproxima a estação reprodutiva, para despertar o instinto sexual. As fêmeas devem ouvir o canto dos machos galadores.Há machos que não suportam bem a vida nas prateleiras, esfriando e perdendo o interesse por fêmeas. Esses devem ser mantidos em outro ambiente, sendo trazidos para a prateleira apenas para galar. É desejável, no entanto, que continuem ouvindo as fêmeas e sendo ouvido por elas.
Deve-se observar o máximo de higiene com gaiolas, ninhos e alimentos. O milho verde, ainda bem macio, isento de agrotóxicos, pode ser oferecido 2 vezes por semana e uma boa farinhada deve ser mantida nos comedouros. Nos dois primeiros dias de vida dos filhotes o milho verde, bem macio, se constitui em excelente alimento pois facilita o funcionamento do aparelho digestivo. O alpiste cozido e misturado ou não à farinhada também é excelente opção. Cuidar para que não fique muito tempo na gaiola, para evitar fermentação e desenvolvimento de colônia de fungos. Nos próximos dias, o milho deve ser servido, no máximo, duas vezes por semana. Muito cuidado com a possibilidade de fermentação no milho. Nunca esquecer de retirar o milho da gaiola no final do dia. Se for oferecido milho verde diariamente para uma fêmea com filhotes, esta o empregará preferencialmente em sua alimentação, desbalanceando a dieta e comprometendo o desenvolvimento da ninhada. Como o milho verde não é tão rico em proteínas e outros nutrientes, devemos incentiva-la a consumir rações e farinhadas.

No inicio de setembro, os ninhos próprios para curiós devem ser colocados nas gaiolas das fêmeas. São melhores os confeccionados com bucha vegetal e revestidos com tecido de algodão na fixação à armação de arame, facilmente encontrados em lojas especializadas. Devem ser instalados no fundo da gaiola, no compartimento oposto ao que será usado para a entrada do galador e em um nível ligeiramente mais baixo que o do poleiro mais alto, para evitar que a fêmea empolere nele para dormir, defecando em seu interior. Embora não seja fundamental, por fora da gaiola pode ser colocada uma proteção que aumente a privacidade da fêmea, melhorando sua sensação de segurança para chocar. Existem cartões feitos de bucha vegetal vendidos em lojas especializadas. Alguns ramos de vegetais artificiais também podem ser usados. O emprego de bucha vegetal no ninho e na proteção é recomendado por facilitar a circulação de ar, ser lavável e apresentar um aspecto natural. As fêmeas deverão estar com as unhas aparadas, pois unhas compridas podem enroscar na forração do ninho arrastando-a para fora. Também podem ferir filhotes. Colocar a disposição da fêmea um maço de raízes de capim ou fibras de côco cortado, ou ainda fibras de cizal, para que a fêmea prepare seu ninho para postura.

Nota-se que uma fêmea está se aprontando para a reprodução quando ela inicia a organização do seu ninho. Ela limpa o ninho todo, retirando cascas de grãos e algumas fezes secas. Começa a puchar com o bico o material fornecido - capim, cizal ou raiz - e levá-lo para o ninho. Deita-se no ninho, ajeitando o material, rodopiando sobre ele. É o que chamamos vulgarmente de "rodar o ninho". Esse momento é fundamental para o manejo reprodutivo.
Deve-se observar a fêmea quando aproximamos o macho galador. O macho estufa as penas e canta para impressionar a fêmea. A fêmea baixa as asas, fecha os olhos e toma uma postura receptiva, em formato de "V". Esse é o momento em que ela aceitará o macho. Se o momento for perdido, provavelmente teremos uma postura de ovos claros ou brancos. Se o macho for colocado antes da fêmea aceitá-lo (ou pedir a gala) é briga certa. Algumas fêmeas mais agressivas podem ser mudadas de ambiente para a gala, pois diminuem o seu instinto territorialista. Fêmeas mais agressivas não devem ser acasaladas com machos inexperientes, pois esses poderão ficar inibidos para a reprodução. Uma forma muito interessante é tentar colocá-los para cruzar pela manhã, bem cedo, quando o dia está clareando.

Posicionamos as gaiolas lado a lado, com as janelas dos passadores laterais alinhadas e com a divisória impedindo que o casal se veja. Retiramos a divisória vagarosamente por um momento e observamos a reação da fêmea. Observe que por vezes ela baixa, mas fica observando o macho. É sinal de que ainda não está totalmente receptiva e que poderá atacar o macho. Quando está realmente pronta, ela baixa, levanta bem a cauda, colocando-se em posição de "V", e costuma fechar os olhos.

Se pedir gala, abrem-se os passadores e permite-se a entrada do macho galador na gaiola da fêmea. Se tudo correr bem a gala é muito rápida. O galador retorna rapidamente para sua gaiola.

Colocamos imediatamente a divisória da gaiola da fêmea, separando o casal. Há necessidade de treinarmos os galadores nesse manejo. Fazemos várias passagens empregando uma gaiola de reprodução vazia para que ele se acostume com dimensões, posições dos poleiros e porta do passador.

Conforme mencionado anteriormente, no amanhecer tem-se o momento mais adequado para a gala. É comum uma fêmea baixar no primeiro dia e só aceitar o macho no segundo. Algumas fêmeas aceitam a gala mais de uma vez por dia e por dois ou tres dias. Há fêmeas que após serem galadas uma única vez, não aceitam mais o macho. Alguns machos se permanecerem muito tempo perto de fêmeas no cio perdem o interesse. Melhor levá-los para perto das fêmeas somente para galar. Somente a observação e o conhecimento do plantel permitirão atender a individualidade de cada pássaro. Procure conhecer seus pássaros registrando anotações de tudo o que for observado.

Machos que não concluíram bem a muda de penas costumam apresentar problemas de fertilidade. Um macho deve cobrir apenas uma fêmea por dia. Normalmente uma cobertura é suficiente para cada postura. A maioria dos criadores costuma permitir duas galas, em dois dias seguidos ou uma pela manhã e outra à tarde. Não costumamos repetir a gala se a observação mostrou que tudo correu bem.

Dois ou tres dias após a gala tem início a postura. Se a fêmea iniciar o choco após a postura do primeiro ovo devemos remover o ovo com muito cuidado e substituí-lo por um indez de plástico (a venda nas lojas do ramo). O ovo retirado deve ser armazenado em local seco e fresco, sobre sementes de arroz descascado muito limpas, sendo virados duas vezes por dia. Quando a fêmea tiver botado o último ovo recolocamos o que foi retirado, de modo a que todos os filhos nasçam no mesmo dia. A postura normal é de 2 ovos e excepcionalmente 3. Observar dificuldades com a postura permanecendo em condições de prestar socorro para fêmea com “ovo atravessado”.

Sugiro a leitura do artigo do Sr. Gilson Barbosa entitulado de “Cópula e Prostração”, cujo extrato está transcrito nesse site.

É comum uma fêmea botar e não iniciar o choco, ou mesmo largar o choco nos primeiros dias, principalmente se a fêmea for nova. Nesse caso a solução é a passagem dos ovos para outra fêmea ou mesmo para fêmeas de Manon (são ótimas amas), ou ainda canárias do reino. O uso de chocadeira com viragem automática para ovos de pássaros apresenta bons resultados. O período de incubação varia de 12 a 13 dias, sendo mais comum a eclosão no 13º dia.

Após o nascimento, a fêmea normalmente cuida sozinha dos filhotes, e só devemos intervir se algo de errado estiver acontecendo. No entanto, os filhotes também podem ser mantidos em incubadoras, a uma temperatura de 33 graus, sendo alimentados com papas produzidas pela industria especializada com o auxilio de uma seringa. Sugerimos a leitura do artigo Incubação Artificial e Alimentação Manual de Filhotes.

Substitua a farinhada, no mínimo, duas vezes no dia. Inclua um premix. Muitos criadores incluem antibióticos na farinhada que alimentará os filhotes para evitar diarréias. Pessoalmente entendo que a manutenção da higidez do plantel e do criatório por si só garantem o sucesso da reprodução. Quando a fêmea maltratar os filhotes, bicando e arrancando seus cartuchos de penas, podemos empregar, no ninho, uma proteção com tela de viveiro para que continue a alimentá-los sem poder bicá-los.

Há necessidade de muita observação nesse período. Os filhotes não podem passar fome ou frio. Se a fêmea não os estiver alimentando suficientemente, complemente sua dieta com papas e seringa. Nunca sacie totalmente o filhote, pois esse passaria a não pedir comida à mãe, que acabaria por esquecê-lo. Substitua o ninho por outro higienizado sempre que notar que o atual está comprometido.

No 5 º ou 6° dia efetua-se o anilhamento. O processo é muito simples. Juntam-se os 3 dedos anteriores e os inserimos grupados através da anilha (pode ser em qualquer das patas). O dedo posterior será dobrado para cima e para traz, alinhado com perna. Há fêmeas que começam a bicar a anilha dos filhotes. Se ocorrer há necessidade de proteção do ninho com tela.

Com 13 ou 14 dias os filhotes deixam o ninho. Poderão ser separados da mãe com 35 ou 40 dias, somente quando já estiverem comendo sozinhos.

Após a saída dos filhotes do ninho, devemos substituir o ninho, pois logo a fêmea reiniciará o processo reprodutivo. Poderá ocorrer de uma fêmea aprontar e pedir gala mesmo enquanto ainda está alimentando os filhotes. Não há inconveniente em que a fêmea continue alimentando os filhotes e chocando a nova ninhada. É preciso muita atenção para não perder o momento indicado para a gala. Os filhotes devem ser separados da mãe no momento da cópula. O macho e os filhotes não deverão ficar no mesmo compartimento. É possível inserir a grade separadora na gaiola da fêmea, mantendo os filhotes em um lado e a fêmea no outro.
Quando as fêmas estão agressivas com os filhotes, a grade separadoura poderá manter filhotes e fêmea separados. Ainda assim ela continuará a alimentá-los pelos intervalos dos arames.

Ao serem separados da mãe, os filhotes devem ser mantidos juntos por mais um ou dois meses, para que se sintam mais seguros. Esse procedimento poderá ser consorciado com o método de vetorização de canto do criatório.

Arquivo | Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis